15 de jun de 2010

Uma nova agenda para arquitetura - Uma Resenha Crítica


A partir dos anos 1960, motivados pelas modificações culturais da sociedade e pelo fracasso de certas obras Racionalistas, alguns arquitetos, notadamente nos Estados Unidos, começaram a questionar alguns dogmas do período modernista. Foi então que em 1966, Robert Venturi lançou o seu manifesto chamado Complexidade e Contradição em Arquitetura (1966), firmando seu nome como um dos principais teóricos do Pós- modernismo. Na falta de um termo melhor, a expressão pós-modernismo tentava identificar cautelosamente tudo que vinha desde o período modernista resgatando e bebendo de outras fontes arquitetônicas, até mesmo do próprio modernismo mesmo renegando em alguns aspectos.
Robert Venturi
A influência de Venturi neste livro tinha bases na Psicologia da Gestalt (ou Psicologia da Forma), semiótica e o valor poético da ambigüidade com apoio na teoria e psicologia evolucionistas. O livro tem apologias a seu trabalho profissional e confessa suas preferências especialmente pelo maneirismo e barroco, contribuindo para uma renovação da consciência histórica e sua importância na arquitetura. Ao contrário dos dogmas da coerência, do equilíbrio e da pureza sobre os quais o modernismo estava como pontos base, o pós-modernismo, reavaliam a ambigüidade, a pluralidade e a coexistência de estilos.
Complexidade, essa que deve ser uma constante na arquitetura deve estar tanto nas formas quanto na função. Na tentativa de rompimento dessas tradições idealizaram o primitivo e elementar a custa da diversidade e sofisticação, contudo, ao redefinir a arquitetura, Venturi renegociou também o papel do arquiteto em relação a suas próprias escolhas, sua profissão e a sociedade de modo mais geral. Não por acaso, o livro veio em primeira pessoa do singular criticando assim o termo utilizado por Mies Van der Rohe “Less is more.” (Menos é mais.), “Less is not more. Less is bore.” (Menos não é mais. Menos é uma chatice.), Segundo ele, há espaço para a contradição, improvisação e fragmento na arquitetura.
Peter Eisenman
Contrapondo, Peter Eisenman não concorda com o termo “pós-modernismo”, alegando nunca ter existido uma arquitetura moderna e, portanto, tornando-a uma impossibilidade. Justifica-se argumentando que a relação entre forma e função é característica desde o período renascentista. No entanto a industrialização deu novas funções que as soluções propostas tornaram-se inadequadas para as tarefas de projeto. O modernismo cultural embora tenha reconhecido tais mudanças e transformações, na arquitetura isso não foi assimilado. Sua alternativa então ao pós-modernismo, o pós-funcionalismo, recomenda uma dialética entre a tipologia humanista e a fragmentação de formas típicas em signos.
Michael Graves
Enquanto Eisenman defende uma ruptura com o humanismo, eis que a “arquitetura figurativa” de Michael Graves tende a uma reconciliação. Mesmo em seus projetos “Brancos”, já demonstrava um interesse no figurativo. A partir do fim da década de 1970 abandona definitivamente aqueles modelos puristas, vindo a desenvolver uma obra formalista baseada numa mistura de elementos historicistas, enfatizados pela recorrência a cores fortes e contrastantes, adquirindo por vezes um caráter irônico. Já nos projetos “pardos”, a hierarquia espacial de referencias antropomórficas e cosmológicas ao classicismo é superior ao espaço contínuo e totalmente alienante ao modernismo. Graves critica duramente o modernismo relatando que esse é a incapacidade expressiva da abstração. A arquitetura figurativa retoma a linguagem tradicional da arquitetura que, ao contrário das abstrações de grande parte do Movimento Moderno, baseia-se do homem social, psíquica, profissional e física do meio ambiente. Por exemplo, Michael Graves opõe-se a fazer paredes cheias de vidro, como a fachada de um edifício. Para Michael Graves, uma parede de janela na arquitetura é semelhante à gíria na língua falada. Michael Graves preferiria ver as janelas como elementos distintos dentro da parede, emoldurando a vista do ocupante para o exterior, aumentando as diferenças hierárquicas entre o interior e o exterior, e expressar o tamanho geral da figura humana do lado de fora da estrutura. Graves se interessava pela reintegração familiar e os elementos tradicionais da arquitetura como elementos distintos (paredes, pisos, tetos, portas, janelas e colunas, por exemplo) não implica simplesmente voltar ao passado, Michael Graves também está interessado nas lições positivas do movimento moderno na arquitetura e inclui os conceitos tradicionais e modernos em sua paleta de projetos.

Textos Base:

  • Venturi, Robert. Complexidade e Contradição em arquitetura: trechos selecionados de um livro em preparação. In: Nesbitt,Kate(Org.).Uma nova agenda para arquitetura: antologia teórica 1965-1995. 2ªed. São Paulo: Cosac Naify, 2008. P.92-95.

  • Graves, Michael. Argumentos em favor da arquitetura figurativa. In: Nesbitt, Kate (Org.). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica 1965-1995. 2ªed. São Paulo: Cosac Naify, 2008. P.103-108.