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13 de jul. de 2012

O Retrô em Arquitetura

O estilo Retrô ou Vintage como muitos conhecem está em alta e hoje marcando a volta do nossos posts vamos falar um pouco sobre este tema muito utilizado em arquitetura de residencias e comercial!
Inspirado nos anos dourados, em épocas clássicas, dos anos 20 aos anos 70. Conhecido também como “old fashioned”, é o estilo que traz o velho de volta e transforma-o em novo, rejuvenesce ambientes com as cores e formas características de décadas passadas.

Apesar do estilo remeter a décadas passadas o retrô aplicado hoje, consegue ter cores vivas e ao mesmo tempo ares cleans, ele possui alguns ícones que se repetem: linhas simples e sofisticadas, móveis grandes com formas ousadas, superfícies lisas.
Já é possível ter a funcionalidade padrão século 21 com uma roupagem vintage. Mas também vale usar o que é realmente antigo para compor o projeto. Além de trazer à tona memórias da sua família e das visitas, traz um quê de bom humor à casa. Você pode garimpar objetos em lojas de decoração, antiquários, lojas de cidades do interior ou escolher eletrodomésticos em lojas especializadas.
Um dos pontos fortes do estilo é a ousadia, e uma grande dica é não se prender somente em um ano ou somente no Retrô, mas sim misturar o velho com o novo, modernizar o que é antigo.

Sabe qual é a diferença entre retrô e vintage? Muitas vezes usamos um dos termos sem distinguirmos, quer seja com respeito à moda ou à decoração. Mas a verdade é que existe uma diferença. O termo vintage deve ser aplicado para a utilização de objetos de época (verdadeiramente da altura em causa), enquanto o termo retrô usasse para referir a utilização de objetos feitos com inspiração de uma época passada.


Como conseguir uma boa decoração retrô?

O segredo está em saber manter o equilíbrio entre a decoração atual e as peças retrô que possa adquirir. Dificilmente conseguirá ter toda a mobília e todas as peças de decoração em estilo retrô. Além disso, poderia não ficar muito bem, mais parecendo uma recriação de época para um museu. Tente fazer uma decoração equilibrada entre o que é habitual agora com peças que notoriamente fizeram parte da realidade de famílias no passado.


Até o nosso próximo post!

19 de nov. de 2011

Arquitetura: PARQUES TECNOLÓGICOS: NOVA FORMA DE ORGANIZAÇÃO ESPACIAL

Nos últimos 50 anos o desenvolvimento tecnológico nos países acelerou de forma significativa em decorrência, entre outros aspectos, do rápido desenvolvimento da informática e o conseqüente avanço da tecnologia da informação e do conhecimento.De acordo com Dubarle (2002) foi a partir dos anos 60 e 70, que muitos países começaram a valorizar a inovação como elemento crucial para o aumento da competitividade nos setores manufatureiros e de serviços. Estes países iniciaram políticas tanto para estimular transferência de pesquisas públicas para novos produtos e processos quanto para fortalecer setores privados a inovar, tendo como objetivo o aumento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Todo esse conhecimento em um mercado globalizado levou à percepção, por parte dos planejadores, da necessidade de proposição de espaços destinados exclusivamente ao desenvolvimento de novas tecnologias. 
A interação entre universidades e Parques Tecnológicos pode ser encontrada de diferentes formas e em vários níveis. Parques Tecnológicos são conseqüências diretas desta união entre o conhecimento, mercado e governo e da necessidade de criação de um espaço que abrigasse essa nova forma de estrutura.
Existem muitas definições atribuídas ao conceito de Parques Tecnológicos, mas pode-se tomar a definição da IASP (Internacional Association of Science Parks) como oficial.Um Parque Tecnológico é uma organização gerida por especialistas, cujo principal objetivo é aumentar a riqueza da comunidade, através da promoção da cultura da inovação e da competitividade das empresas e instituições baseadas no conhecimento que lhe estão associadas.

Parque Tecnológico de Belo Horizonte-MG

FICHA TÉCNICA
arquitetos: Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel
prêmios: 1° lugar em concurso nacional
local: Belo Horizonte, MG, Brasil
concurso: 2003
A proposta para o Plano Diretor do Parque Tecnológico de Belo Horizonte tem como principais conceitos:
  • O caráter exemplar que qualquer iniciativa da Universidade deve ter, buscando propor soluções de ordenação do espaço que pressupõem uma abordagem ecologicamente correta, ao mesmo tempo em que têm um rigoroso compromisso com a definição e a caracterização de espaços públicos e abertos, de modo a preservar o vazio urbano, a flora e a  fauna do lugar.
  •  A demarcação dos limites e setores do parque a partir da potencialização de recursos e situações geográficas e ambientais existentes, de modo a complementar a paisagem, ordenar os elementos principais que compõem o parque e equacionar problemas de ordem ambiental e sanitária que extrapolam os limites do terreno. 
  • A definição de uma estrutura urbana e um parcelamento das áreas edificáveis com uma lógica que pressuponha a flexibilidade e a transformação no tempo, diversificando as possibilidades de crescimento do parque ao longo dos anos e permitindo sua implantação em etapas. 

    6 de nov. de 2011

    Arquitetura: Trabalho Final de Graduação (TFG)

    Salve leitores do nosso Arq's & Co.
    Desculpem pela falta de posts, afinal como vocês sabem ainda sou universitária e a vida de um universitário em Arquitetura não é fácil principalmente, no penúltimo ano, quando nós do curso noturno aqui na UNIFACS temos que eliminar todas as matérias para entrar no esperado Trabalho Final de Graduação. Enfim é uma correria desesperada!
    Mas o que é este trabalho de graduação?
    O Trabalho Final de Graduação - TFG é a disciplina na qual o acadêmico desenvolve , no último semestre do curso, um projeto arquitetônico e/ou urbanístico. O TFG é realizado individualmente e o tema a ser desenvolvido será de livre escolha do acadêmico, devendo demonstrar a consolidação e a síntese dos conhecimentos construídos durante o curso. 
    O formando escolherá para a orientação de seu TFG um docente arquiteto e urbanista, dentre os professores do Curso, ou seja, um membro do Colegiado do Curso de Arquitetura e Urbanismo. Essa escolha deverá ser feita no semestre anterior ao acadêmico estar matriculado na disciplina de TFG, durante a disciplina de ITFG e se concretizará conforme a disponibilidade dos professores.
    A duração dessa disciplina na UNIFACS é de um ano Letivo, divididos em 2 semestres onde o aluno aprimora as necessidades do que ele escolheu projetar.
    Além das orientações individuais, o acadêmico terá o acompanhamento permanente do(s) professor(es) da disciplina, que ocorrerá através de painéis internos coletivos, a serem combinados com a turma. O acadêmico contará com diferentes momentos para socialização, aconselhamento e avaliação de seu trabalho durante o semestre, dos quais participarão também seus orientadores, se assim o desejarem.
    Para chegar o tema que eu decidi elaborar este trabalho final, mudei de opinião várias vezes. Só pra vocês terem a idéia, no início do curso queria fazer ligado ao Restauro, depois algo voltado ao entreterimento, depois algo voltado a saúde, mas percebendo que o  último tema teria parâmetros de comparação, optei por algo institucional, pois é algo da minha atual vivência. 
    Para me auxiliar este trabalho será feito possivelmente em Revit Architeture o que irá diminuir bastante o tempo de elaboração de cortes, fachadas e modelagem 3D, uma vez que o Revit ele já te dá tudo isso em tempo que você projeta suas plantas baixas!
    Para acompanhar o desenvolvimento deste TFG vocês poderão acessar http://arqsco.tumblr.com e acompanhar desde o processo monográfico até o projeto e modelagens.


    Se demorar a ter posts aqui no Blogspot, dá uma passada no tumblr. Claro que procurarei preencher o espaço deste blog aqui , porém não com tanta frequencia de antes!
    Mas enquanto fevereiro de 2012 não chega, vou mandando novidades extras.
    Até o próximo post!

    3 de out. de 2011

    Arquiteturas do Aço: O Aço na Paisagem Urbana!

    Torre Eiffel - Paris
    Um material de natureza versátil, prático, maleável e resistente que consolidou o chamado mundo moderno: assim é o aço que surge junto à segunda fase da Revolução Industrial, trazendo mudanças significativas para a paisagem urbana e infraestutura das metrópoles. A partir do século XIX, o mundo pode inserir, em arga escala, as estruturas metálicas e o conceito de construção que alinhou definitivamente rapidez e expressão cultural.
    Na época, houve uma demanda por sofisticação diretamente relacionada ao desenvolvimento dos pólos industriais e, consequentemente, da vida que crescia em torno dessa nova configuração. Isso exigiu a elaboração de equipamentos públicos relacionados a serviços, comércio, lazer, transporte e mobiliários urbanos que os complementassem. Para atender as necessidades com a rapidez requerida, o aço tornou-se material indispensável nas obras urbanas e permanece sendo sinônimo de praticidade para profissionais desenvolverem seus projetos. Incorporado aos grandes centros graças a essa agilidade, hoje o material compõe a identidade visual e plástica das cidades e transforma o espaço urbano.
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    Exemplo Brasileiro de Aplicação
    Unidade Visual
    Estação de transferência de ônibus – São Paulo/SP
    Transparência, modularidade e design contemporâneo: estamos falando das estruturas paralelas em pórticos longitudinais, feitas com vigas em aço de 22 cm de altura e com extremidades compostas por duas curvas que deram destaque especial àquilo que seria uma simples estação de transferência de ônibus. Em São Paulo, desde 2004, os cidadãos contam com mais um equipamento urbano que cumpre a função de prestar serviço aos usuários de ônibus com praticidade e segurança. Projetadas pelos arquitetos Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci, as estruturas das estações de transferênciasão vencedoras do concurso promovido pela Prefeitura de São Paulo para o  sistema integrado de transporte público. O projeto oferece estrutura mínima para não obstruir a visão de um lado para o outro e atende as especificações de modulação das estações que deveria obedecer a um módulo mínimo de 8 m, repetindo-se para as estações de 16 m e 40 m. A estrutura em aço foi pensada para a produção em série dos elementos complexos do projeto. As curvas são idênticas para qualquer tamanho de estação, a vedação superior é constituídade chapa metálica nervurada com pintura de base cerâmica para a proteção térmica e os forros são em chapa perfurada, modular, formando um isolante acústico.

    2 de out. de 2011

    Arte e Arquitetura: Belle Epóque

    Belle Époque (bela época em francês) é muito mais que um estado de espírito!

    Costuma-se definir Belle Époque como um período de pouco mais de trinta anos que, iniciando-se por volta de 1890, prolonga-se até a Primeira Guerra Mundial (1914).Mas essa não é, logicamente, uma delimitação matemática: na verdade, Belle Époque é um estado de espírito, que se manifesta em dado momento na vida de determinado país.
    No Brasil, a Belle Époque situa-se entre 1889, data da proclamação da República, e 1922, ano da realização da Semana da Arte Moderna em São Paulo, sendo precedida por um curto prelúdio – a década de 1880 – e prorrogada por uma fase de progressivo esvaziamento, que perdurou até 1925.
    A expressão também designa o clima intelectual e artístico do período em questão. Foi uma época marcada por profundas transformações culturais que se traduziram em novos modos de pensar e viver o quotidiano.
    A Belle Époque foi considerada uma era de ouro da beleza, inovação e paz entre os países europeus. Novas invenções tornavam a vida mais fácil em todos os níveis sociais, e a cena cultural estava em efervescência: cabarés, o cancan, e o cinema haviam nascido, e a arte tomava novas formas com o Impressionismo e a Art Nouveau. A arte e a arquitetura inspiradas no estilo dessa era, em outras nações, são chamadas algumas vezes de estilo "Belle Époque". Além disso "Belle Epóque" foi representada por uma cultura urbana de divertimento incentivada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte gerados pelos lucros e necessidades da política imperialista, que aproximou ainda mais as principais cidades do planeta.
    Inovações tecnológicas como o telefone, o telégrafo sem fio, o cinema, a bicicleta, o automóvel, o avião, inspiravam novas percepções da realidade. Com seus cafés-concertos, balés, operetas, livrarias, teatros, boulevards e alta costura, Paris, a Cidade Luz, era considerada o centro produtor e exportador da cultura mundial. A cultura boêmia imortalizada nas páginas do romance de Henri Murger, Scènes de la vie de bohème (1848), era um referencial de vida para os intelectuais brasileiros, leitores ávidos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Zola, Anatole France e Balzac. Ir a Paris ao menos uma vez por ano era quase uma obrigação entre as elites, pois garantia o vínculo com a atualidade do mundo.
    A Belle Époque, foi uma época onde ocorreram várias mudanças no mundo da arte na Europa, fazendo com que teatros, exposições de telas, cinemas, entrassem no cotidiano das pessoas burguesas. E somente elas tinham acesso a esse mundo da arte.
     O estilo chamado art nouveau ("arte nova" em português) foi típico da Belle Époque. Esta corrente artística surgiu nos finais do séc. XIX, em reacção ao emprego abusivo na arte de motivos clássicos ou tradicionais. Em vez de se basear nos sólidos modernos da arte clássica, a art nouveau valorizava os ornamentos, as cores vivas e as curvas sinuosas baseadas nas formas elegantes das plantas dos animais e das mulheres. É uma arte essencialmente decorativa sendo as principais obras desse estilo fachadas de edifícios, objetos de decoração (móveis, portões, vasos), jóias, vitrais e azulejos. Um dos pintores mais conhecido da Arte Nova é Alfonse Mucha.
    Tendo surgido, acredita-se, de uma série de influências na arte, também na literatura, considera-se que entre os seus precursores estão William Morris e o movimento Arts and Crafts, o movimento Pré-Rafaelita, o Historicismo do Romantismo do Barroco, do Revivalismo Gótico e Celta, William Blake e Walter Crane, as gravuras Japonesas , Oscar Wilde, o ideal wagneriano de Gesamtkunstwerk, de Aubrey Beardsley, a poesia simbolista de Mallarmé e das pinturas de Toulouse-Lautrec, Munch, Whistler, Nabis e Seurat.

    Em literatura, considera-se que um dos principais percursores do estilo Art Nouveau Revivalismo Celta, especialmente na Inglaterra, Escócia, Irlanda e Escandinávia, o qual teria dado, voltando-se para as "épocas áureas" de cada país. Apesar dos motivos medievais de cavalaria usados por esta tendência literária, que contribui para a Art Nouveau em outros gêneros artísticos, havia nesta escola um desejo da libertação do antigo e uma certa procura do novo, que refletiu-se em movimentos como o Novo Paganismo ou o Novo Hedonismo enquanto que O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde "caracterizava-se pela Nova Voluptuosidade

    7 de set. de 2011

    A noção de minimalismo nas artes e na arquitetura

    Apesar de plurais e com tendências heterogêneas, os movimentos artísticos de vanguarda europeus do início do séc. XX apresentavam como característica em comum o repúdio às normas acadêmicas de representação tradicionalmente instituídas, baseadas na idéia da mimese como imitação da realidade. Contrapondo-se às inclinações naturalistas ainda remetentes à arte romântica, o neoplasticismo se originava neste contexto a partir da expressão de uma natureza não-figurativa, manifestada sobretudo por meio da simplificação das composições visuais, da abstração geométrica e do uso de cores primárias.
    Fig. 1 - Composição de Mondrian
    Difundido a partir do grupo De Stijl (Agregando princípios e influências de distintas disciplinas artísticas, o grupo De Stijl apresentava dentre alguns de seus membros mais representativos Piet Mondrian, Bart van der Leck e Amédée Ozenfant, na pintura, e Gerrit Rietveld e J.J.P. Oud, no design de mobiliário e na arquitetura.), os conceitos de harmonia e equilíbrio segundo o ideal estético neoplasticista não era concebido através do princípio clássico da simetria, mas sim por meio da criação de oposições e contrastes resultantes da exploração do elementarismo da linha, do espaço e da cor em formas geométricas regulares claramente diferenciadas e sem sobreposições, produzindo uma qualidade assimétrica da noção de equilíbrio (fig. 1).
    Theo van Doesburg, pintor e editor da revista De Stijl entre 1917 e 1931, publicou em 1924 o manifesto “Towards a plastic architecture”, relacionando o pensamento da vanguarda artística aos princípios formais básicos de uma nova concepção de arquitetura, caracterizada como “abstrata, objetiva, elementarista, informe, econômica, de planta livre, assimétrica, antidecorativa, antimonumental, anticúbica, aberta, flutuante e em equilíbrio dinâmico” (MONTANER, Josep Maria. As formas do século XX. Barcelona, Gustavo Gili, 2002, p. 74). Assim como a pintura neoplasticista reduziu-se a pontos, linhas, planos e cores primárias, esta concepção abstrata de arquitetura também partiu de elementos constitutivos essenciais tais como massa, superfície, luz, cor, materiais, etc. No manifesto de 1924, Doesburg atesta que somente com a colaboração de todas as artes plásticas seria possível completar a arquitetura, anunciando assim estreitas relações entre a arte abstrata e a arquitetura (DOESBURG, Theo van. Towards a plastic architecture. Apud MONTANER, Josep Maria. As formas do século XX. Barcelona, Gustavo Gili, 2002.).

    Fig. 2 - Casa Schröder – Vista interna
    As fachadas podem ser vistas como uma composição de superfícies destacadas em diferentes profundidades, favorecendo a disposição das varandas. Apesar de estáticos, estes planos parecem poder deslizar uns sobre os outros. Assim como na pintura, superfícies pintadas em branco e em tons de cinza predominam nas fachadas, mas há detalhes realçados em cores primárias que intensificam sua plasticidade. Apesar do programa arquitetônico residencial convencional, não há uma disposição tradicional dos ambientes, mas a projeção de um espaço amplo que, devido à utilização de um sistema de fechamento com painéis deslizantes e removíveis, viabiliza diversas alternativas de leiaute em uma mesma projeção horizontal edificada, possibilitando ao ocupante a vivência de distintas experiências espaciais (fig. 2).
    Embora a casa de Rietveld tenha sido uma das primeiras manifestações arquitetônicas de inspiração minimalista, o desenvolvimento desta tendência foi continuado por Mies Van der Rohe (1886 –1969) a partir da interpretação da metáfora “less is more” (Esta asserção, por sua vez, procede do aforismo “ornamento é crime” cunhado por Adolf Loos (1908), a partir do qual manifesta um purismo estético radical contra os excessos decorativos do ecletismo europeu.), o que equivale dizer “menos vale mais”, ou “menos significa mais”. A fecundidade da metáfora miesiana reside na abrangente multiplicidade de significados que suscita, em diversos planos de compreensão. Não se trata, portanto, de uma analogia visual direta ou literal em que o edifício resulta em um signo icônico óbvio de seu conceito gerador, como em muitos exemplos do figurativismo arquitetônico pós-moderno (Na década de 1960, Robert Venturi contrapõe-se radicalmente ao pensamento minimalista de Mies e, em âmbito geral, contra os preceitos da arquitetura moderna a partir da afirmação, em caráter literal, “less is a bore”, denotando que “menos é uma chatice”.). A abrangência deste aforismo, convertido em um dos princípios fundamentais não só do pensamento arquitetônico moderno, como também de algumas tendências não-figurativas do pós-modernismo arquitetônico, conduziu não somente à concepção de obras arquitetônicas comunicadoras de belas poéticas internas, mas também a um sincero questionamento sobre as próprias qualidades de uma boa arquitetura.

    Fig. 3 - Pavilhão de Barcelona - Projeto de Mies Van Der Rohe
    A influência neoplasticista na obra de Mies manifesta-se claramente no Pavilhão alemão na Feira Mundial de Barcelona (1929), expressão emblemática da metáfora minimalista (fig.3). Subjacente à aparente simplicidade do minimalismo arquitetônico de Mies, reside um ideal de perfeição platônica materializado a partir de um sofisticado jogo combinatório de lâminas de vidro, superfícies de água, planos horizontais e verticais e painéis de mármore. Os delgados pilares metálicos cruciformes revelam uma expressão estrutural ao mesmo tempo singela e vigorosa, produzindo um tipo de tensão essencialmente minimalista.
    Alguns dos elementos da linguagem moderna da arquitetura que se mostram presentes nestes exemplos, tais como a tendência à abstração, a ampla recorrência às formas geométricas puras, a assimetria, os planos e balanços, as relações de transparência entre espaço interno e externo, o elevado rigor técnico e a estética apurada dos detalhes construtivos, dentre outros, ressurgem décadas mais tarde na produção arquitetônica pós-moderna de inspiração minimalista, para onde também convergem as influências das artes minimalistas desenvolvidas nos Estados Unidos ao longo da década de 1960.
    Assim como a linguagem da arquitetura clássica sofreu diversas releituras em distintas épocas históricas, pode-se dizer que a linguagem da arquitetura moderna também tem se pronunciado ciclicamente, embora de modo bem mais efêmero e mais ambíguo. As manifestações arquitetônicas de inspiração minimalista surgidas após o Movimento Moderno constituíram-se como uma nova espécie de racionalismo que se contrapunha aos excessos figurativos e à heterogeneidade iconográfica característicos da produção arquitetônica de Robert Venturi, Michael Graves e Charles Moore, dentre outros. Embora plural e heterogêneo, e por isto referimo-nos ao minimalismo pós-moderno apenas como uma tendência, pode-se dizer que suas variadas manifestações convergem para a máxima miesiana na qual “menos é mais”.
    Segundo Montaner, a noção de minimalismo remete à “busca de uma arquitetura unitária, onde se utiliza um número de elementos, materiais e linguagens limitadas e articuladas de forma essencial” (MONTANER, Josep Maria. Depois do movimento moderno. Barcelona, Gustavo Gili, 2001, p. 262.). Deve-se observar que esta caracterização também se aplica à própria arquitetura moderna, podendo ser aplicada às referidas obras de Rietveld e de Mies. Apesar desta ter consistido uma das principais referências da vertente pós-moderna, residem distinções a serem consideradas. Ainda, segundo o autor, “[Após o Movimento Moderno] reaparecem arquiteturas que primam pela busca de um sentido comum tectônico presente no uso rigoroso e asséptico dos materiais, na recriação de espaços diretos e puros, na utilização de formas volumétricas e geométricas simples, na austera utilização de repertórios significativos, na economia de materiais e energias, e na integração com o entorno”. (Idem, ibidem, p. 260)
    Signal Box - Herzog e De Meuron
    Enquanto a arquitetura moderna aspirava a um elevado sentido transcendente, havendo pouca ou nenhuma intenção de integração com o entorno, no minimalismo pós-moderno observam-se peculiares combinações de auto-referência e relação com o lugar. Embora a obra não pretenda representar ou remeter a nada além dela mesma, pode relacionar-se sutilmente com elementos do entorno.


    Produzida em uma época de crescentes crises de energia e do progressivo esgotamento dos recursos naturais, a tendência minimalista manifesta-se pela contenção em detrimento da abundância, firmando-se em prol de uma higienização que preza pela redução absoluta de todo o tipo de esbanjamento, do ornamental ao energético. Em âmbito mais abrangente, pode-se dizer que esta busca pela simplicidade também adquire um sentido fundamentalmente crítico nas sociedades contemporâneas caracterizadas pelo alto consumo e desperdício.
    Assim como na arquitetura moderna, a tendência arquitetônica pós-moderna de inspiração minimalista se realiza sem referências à teoria, história ou significados. Nesta concepção, a sofisticação da materialidade assume maior valor do que possíveis argumentos conceituais de fundo social, cultural ou histórico. Apesar do resguardo na estabilidade e solidez das qualidades materiais arquitetônicas, do rigoroso controle geométrico e do primor dos detalhes construtivos, esta não é uma arquitetura que se atenha a virtuosismos tecnológicos; apenas utiliza a tecnologia como meio para sua concretização.
    As análises das obras arquitetônicas a seguir ilustram de que maneiras os mecanismos racionais da abstração minimalista podem ser aplicados ao campo da arquitetura mais recente, permitindo reconhecer interfaces e descontinuidades em relação aos respectivos mecanismos empregados no meio da arte minimalista.

    Texto Adaptado do Site Arquitextos: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.088/208

    4 de set. de 2011

    Arq Biography - Tadao Ando

    Nascido em Osaka em 1941, Tadao Ando constitui um caso invulgar, na medida em que é um autodidata no domínio da Arquitetura, em grande parte graças às suas viagens aos Estados Unidos, Europa e África (1962-1969). Fundou a empresa Tadao Ando Architect & Associates em Osaka, em 1969. Quando Ihe perguntam como nasceu o seu interesse pela arquitetura, responde: "Acontece que se faziam construções no sítio onde eu morava, quando eu tinha quinze anos, e eu travei conhecimento com alguns carpinteiros. Mais ou menos na mesma época, encontrei num alfarrabista um livro sobre a obra completa de Le Corbusier Copiei alguns dos seus desenhos, e diria que foi assim que comecei a interessar-me por ela arquitetura."
    Vencedor do Premio Carisberg em 1992, do Premio Pritzker em 1995, do Premium Imperiale em 1996 e da Medalha de Ouro do Royal Institute of  British Architects em 1997, Tadao Ando é um dos arquitetos mais respeitados do mundo. Alguns dos seus admiradores ou, neste caso, dos seus detratores, deram-se ao trabalho de visitar os seus edifícios. Nem a melhor fotografia nem o desenho mais minucioso conseguem reproduzir os efeitos da mudança da luz à medida que o sol se esconde atrás do Templo de Hompuku-ji , na ilha de Awaji , sobranceiro à Baía de Osaka. Todavia, o essencial da sua obra só pode captar-se através desses instantes fugidios, quando a presença da natureza se impõe e depois desaparece atrás das paredes de betão.
    Seu trabalho é conhecido para o uso criativo da luz natural e para as arquiteturas que seguem as formas naturais da paisagem (ao invés de perturbar a paisagem, tornando-a em conformidade com o espaço construído de um edifício). Os edifícios do arquiteto são frequentemente caracterizadas por serem complexos caminhos tridimensionais circulação. Estes caminhos se entrelaçam entre espaços interiores e exteriores formado dentro de larga escala formas geométricas e nos espaços entre elas.

    Alguns dos seus principais trabalhos:
    •  Tomishima House - 1973
    •  Tezukayama Tower Plaza - 1976
    •  Church of the Light - 1989
    •  The Pulitzer Foundation for the Arts - 2001
    •  Modern Art Museum of Fort Worth - 2002
    Dentre uma série de mais de 50 projetos  falaremos deste que sem dúvida tem uma enorme importância para a Arquitetura contemporânea.
    CHURCH OF THE LIGHT - IGREJA DA LUZ DE 1989, OSAKA-JAPÃO.


    Nos arredores de Osaka, no Japão , na pequena cidade de Ibaraki , a Igreja da Luz é uma das obras emblemáticas da arquitetura de Tadao Ando. Nele, a arquitetura se relaciona com seu ambiente natural. A luz entra no quarto escuro de uma maneira controlada, tornando-se o elemento principal. Foi construído em 1989, substituindo uma antiga igreja católica. O projeto envolveu a renovação de todo o site, a construção da igreja foi apenas o primeiro palco. As demais etapas foram concluídas em 1999, seguindo o desenho de Ando.
    Segundo o próprio Arquiteto, ele diz que “Em todas as minhas obras, a luz é um fator de controle importante. Principalmente eu criar espaços fechados por Meios de grossas paredes de concreto. A razão principal é criar um lugar para o indivíduo, uma zona para si dentro da sociedade. Quando os fatores externos da cidade um ambiente requerem a parede a ser Sem aberturas, o interior deve ser especialmente plena e satisfatória."
    Resultante da confluência de diferentes vertentes artísticas, o minimalismo que vemos nessa obra pode ser descrito como uma tendência que se expandiu pela arte estabelecendo múltiplos níveis de relação entre seus diversos desdobramentos. No entanto, abordar esta concepção enquanto mera condição ou categoria estilística equivale a recorrer a um reducionismo superficial e improcedente. Conceitualmente, pode-se dizer que a exaltação do minimal se configura como princípio operacional ou aproximação pela qual se busca alcançar a máxima tensão formal, o máximo impacto intelectual ou sensorial utilizando um mínimo de meios. O elementarismo compositivo de uma obra de inspiração minimalista artisticamente relevante não se restringe apenas a um marcante esforço de síntese, envolve também o estabelecimento de abstrações múltiplas que se tornam assimiláveis a partir de mecanismos mais intelectuais do que sensoriais.


    A Igreja da Luz, é uma obra que se move na dualidade. É o jogo entre cheios / vazios, luz / movimento, escuro / serenidade, que dá sentido à proposta. O espaço interior se relaciona com seu ambiente a partir do contraste. A luz entra no slots perfeitamente recitar empresas de que não só funciona como “janelas”, mas também atuar em uma composição, produzindo um cruzamento que dá um significado simbólico para o espaço. A cruz iluminada se transforma em um enfeite. A natureza é sutilmente apenas enquadrado ser visto fora das ranhuras verde, mantendo a serenidade do espaço interior.

    A Igreja da Luz, tal como as demais Igrejas e obras de Tadao Ando, é marcada por uma profunda simplicidade formal e monumentalidade espacial, que lhe impregna uma forte sensação de espiritualidade e de contacto com a Natureza e com os elementos, sem no entanto estar directamente ligada a qualquer deidade ou religião em particular. A luz como elemento de aproximação espiritual, é aqui trabalhada de forma magistral, e suas paredes de betão, que com cerca de 7 metros de altura, conferem uma escala monumental e imponente a todo o conjunto.
    A presença da luz como único elemento insiste na abstração da própria arquitetura. As composições que as sombras formam no solo e na presença nômada de uma cruz formada pela sombra tornam o esse espaço abstrato em algo mais vivo. Esse mesmo recurso é utilizado por Tadao Ando em seu projeto para uma Igreja em Roma, onde o arquiteto usa uma fresta no teto, também em forma de cruz, para causar o mesmo efeito que na Igreja de Osaka.
    A cruz do exterior, suspensa sobre uma das fachadas é a única peça de ornamentação da igreja, esse fato mostra como o arquiteto estava preocupado com o caráter limpo do prédio, deixando para elementos naturais e fora da arquitetura(a luz, por exemplo) para realçar o seu projeto.
    O caráter áustero do recinto e o baixo pressuposto do projeto determinaram a decisão do arquiteto sobre os materiais a serem empregados: as peças de concreto que Tadao Ando utiliza com freqência. Ando também emprega habitualmente materiais naturais como a madeira, a pedra e o próprio concreto nas zonas do edifício sujeitas ao contato direto com as mãos e pés dos usuários. O arquiteto considera que através dos sentidos é que a arquitetura é conhecida e entendida.

    Fontes:
    Arquitetura! Disponível em: http://teturaarqui.wordpress.com/2011/02/02/igreja-da-luz-tadao-ando/ Acessado em: 01/09/2011.
    Acessado em: 02/09/2011.

    Fotos coletadas pelo Google imagens.

    7 de ago. de 2011

    Arquitetura Rústica

    Estabelecer um contato mais próximo com a natureza faz parte do estilo de vida atual, que redescobriu a força da terra, os poderes das pedras e as importantíssimas propriedades das plantas. Dentro desta nova e saudável concepção, a arquitetura oferece possibilidades para resgatar formas mais simples e naturais de se viver. Se a idéia é se aproximar o máximo da natureza, a estrutura do telhado deve ser de madeira, de preferência aparente. A presença do forro é opcional e deve atender às expectativas estéticas para os ambientes internos, já que o visual do exterior está garantido.


    A preocupação com o conforto termo-acústico dos ambientes é especialmente notável nos edifícios. Ao clima litorâneo correspondem dias e noites quentes e alto teor de umidade. Portanto, é interessante que os materiais empregados tenham baixa inércia, isto é, que não armazenem calor, pois a energia se desprenderia à noite, em função da mudança de gradiente térmico, tornando o ambiente muito quente.
    Os telhados com estrutura de madeira convencional – caibros com bitolas comerciais e telhas de barro tipo capa e canal, não possuem forro e, em alguns casos, ao invés da tesoura de madeira o vão é vencido por caibros apoiados diretamente nas alvenarias, e os beirais possuem estrutura adicional de troncos de carnaúba. Observa-se, também, o uso de folhas de carnaúba trançadas. A fibra vegetal possui baixa inércia, é leve – o que implica em economia de madeiramento, facilidade de execução – a técnica artesanal é bem conhecida na região, excelente estanqueidade e facilidade de manutenção. No entanto, seu emprego exige cautela por tratar-se de material combustível.
    Outra solução relevante quanto ao conforto das edificações é o emprego de muxarabis de madeira comercial que propiciam ventilação cruzada na parte mais alta do pé-direito. Observamos, também, o emprego de painéis móveis de cipó trançado de forma que os ambientes sejam sombreados ou protegidos em caso de chuva, além de garantir a ventilação permanente. O fato de serem painéis artesanais modulados possibilita a alternância entre aberturas e fechamentos, como forma de controle da brisa marítima.

    31 de jul. de 2011

    Estudando a Prossêmica e a Ergonomia em Arquitetura

    Esse semestre sendo o último de matérias em meu curso de Arquitetura e Urbanismo (VIVA! \o/) apareceu a tão famigerada Matéria Optativa que não passa de mais uma obrigatória do curso. Mas a bola da vez é estudar Ergonomia e Proxêmica. Isso mesmo pessoal proxêmica. Então vamos a ela.

    O termo proxêmica (proxemics) foi cunhado pelo antropólogo Edward T. Hall em 1963 para designar os estudo sobre as distâncias interpessoais por ele empreendido, e relatado no livro A dimensão oculta [1], uma leitura obrigatória para arquitetos. Como ressalta o autor, tudo que o homem faz esta relacionado com sua experiência espacial, e o significado que atribuímos ao espaço que regulamenta o nosso desempenho está profundamente relacionado com as distâncias interpessoais.
    Aliás, o trabalho se tornou uma referência importante  para qualquer projetista, estudioso ou planejador que lida com as relações espaciais entre os seres humanos. A segurança pessoal, social e pública, o conforto ambiental em espaços sociais e públicos, o controle da qualidade espacial de espaços coletivos, muito deve desde então ao estudo de Hall.
    A percepção do espaço é estudada por Edward Hall através dos seus órgãos dos sentidos, que são tratados como receptores. Os receptores próximos são o tato, o olfato, e os receptores remotos, a audição e a visão.
    As propriedades e características são estudados do ponto de vista psicológico, antropológico e cultural. Sem dúvida, o ponto alto deste estudo é a classificação das distancias interpessoais, um dado importante hoje em dia, devido ao efeito da aglomeração nas grandes cidades, e que pode ser de grande valia para o arquiteto. As distâncias estudades são a a Distância Íntima, Distância Pessoal, Distância Social e Distância Pública.
    • Distância íntima: para abraçar, tocar ou sussurrar; envolve contacto físico entre os corpos; não permitida em habitual em público na maior parte das culturas (0-45 cm); 

    - Modo próximo: maior proximidade possível, contacto entre a pele e músculos;
    - Modo afastado: apenas as mãos estão em contato; proximidade provoca visão distorcida do outro, distância na qual se fala aos sussurros.
    • Distância pessoal: para interação com amigos próximos; distância que o indivíduo guarda dos outros (45-120 cm);
    - Modo próximo: permite tocar no outro com os braços; a posição/distância revela o relacionamento que existe entre os indivíduos;
    - Modo afastado: limite do alcançe físico em relação ao outro; distância habitual da conversação pessoal;
    • Distância social: para interação entre conhecidos; definida por Hall como o "limite do poder sobre outrem"; a esta distância os indivíduos não se tocam.(1,2-3,5 m);
      - Modo próximo: adotado quando várias pessoas dividem o mesmo espaço de trabalho ou em reuniões pouco formais;
      - Modo afastado: adotado quando de relações sociais ou profissionais formais;
    • Distância pública: para falar em público; situa-se fora do círculo mais imediato do individuo; vista em conferências. (acima de 3,5 m).
      - Modo próximo: relações formais; permite a fuga ou a defesa caso o indivíduo se sinta ameaçado;
      - Modo afastado: modo no qual a possibilidade de estabelecer contacto com alguém é nula, devido à distância.
    Hall indicou que diferentes culturas mantêm diferentes padrões de espaço pessoal. Nas culturas latinas, por exemplo, aquelas distâncias relativas são menores e as pessoas não se sentem desconfortáveis quanto estão próximas das outras; nas culturas nórdicas, ocorre o oposto.
    As distâncias pessoais também podem variar em função da situação social, do gênero e de preferências individuais.


    ERGONOMIA é uma ciência multídisciplinar com a base formada por várias outras ciências. A Antropometria e a Biomecânica fornecem as informações sobre as dimensões e os movimentos do corpo humano. A Anatomia e a Fisiologia Aplicada fornecem os dados sobre a estrutura e o funcionamento do corpo humano. A Psicologia, os parâmetros do comportamento humano. A Medicina do Trabalho, os dados de condições de trabalho que podem ser prejudiciais ao organismo humano. Da mesma forma, a Higiene industrial, a Física, a Estatística e outras ciências fornecem informações a serem utilizadas pela ERGONOMIA, de forma a possibilitar o conhecimento e o estudo completo do sistema homem-máquina-ambiente de trabalho, visando a uma melhor adequação do trabalho ao homem. No Renascimento, os ensinamentos de Vitrúvio passam novamente a ganhar grande importância. É nessa época que os seus livros são traduzidos para a língua italiana. Os dados antropométricos apresentados por ele, são desenhados por Leonardo Da Vinci (± em 1490) no seu célebre trabalho “L’Uomo di Vitruvio” (O Homem de Vitrúvio).
    A articulação entre ergonomia e arquitetura permite ressaltar uma característica da prática de projetos de concepção de espaços: a construção progressiva do programa de necessidades que passa  pela  integração  dos  diferentes  pontos  de  vista  dos  atores  envolvidos  ao  longo  do processo. Há  uma  idéia  de  que  o  programa  arquitetônico  define  o  problema  colocado  pelo cliente  e  que  se  espera  ser  resolvido  pelos  projetistas. Mas  o  programa  não  é  totalmente definido quando da demanda pelo projeto; há uma construção ao longo do projeto pelos atores envolvidos para garantir sua coerência. O papel da intervenção ergonômica é  permitir  que  o  processo  de  concepção  seja  considerado  não  como  a  resolução  de  um problema, mas como sua formulação.

    23 de jul. de 2011

    Arquitetura: Lofts

    Loft se origina do inglês médio lofte (ar, céu, região elevada), do inglês antigo loft de origem na língua germânica setentrional, do nórdico antigo lopt, (recinto superior, ático, região do céu, ar) do proto-germânico luftluz. Semelhante ao alto alemão antigo luft (alemão atual luft), do inglês antigo lyft (ar).
    O conceito original dos Lofts designava um tipo de habitação bem casual e com características bem definidas, como pé-direito alto, a ausência de divisões internas entre os diferentes ambientes, a despreocupação com acabamentos e adornos, elementos estruturais como pilares e vigas e também tubulações de hidráulica e elétrica aparentes e as janelas bem amplas.
    Esse conceito foi se popularizando e, com o tempo, se adaptou para o uso principalmente de pessoas jovens e despojadas em grandes cidades no mundo.
    Loft em Buenos Aires - Fonte: Blog Arquitetura e Urbansmo
    Em Nova York, regiões industriais decadentes, como o Soho, tornaram-se descoladas a partir da reciclagem de suas antigas fábricas e frigoríficos. Essas construções amplas, com pé-direito alto e vãos livres, atraíram, nos anos 60, artistas plásticos, que as utilizavam como morada e lugar de trabalho. Ateliê, quarto, sala, banheiro e cozinha se confundiam em um mesmo salão. Os lofts eram uma opção barata de moradia. Nos anos 70, com a revitalização de seu entorno pela prefeitura de Nova York, viraram moda e encareceram. Em Manhattan, os menores lofts de West Village (que vão de 55 a 78 metros quadrados) custam no mínimo 1 milhão de dólares.
    Mesmo despojados, lofts bacanas exigem organização permanente, já que os ambientes ficam sempre a mostra. Em lofts, praticidade é lei. Por isso, materiais e acabamentos uniformes e integrados facilitam a decoração e a flexibilidade do espaço.
    Iluminação direcionada criando pontos de sombra e luz ampliam e escondem partes facilitando assim a distribuição correta das peças nos espaços.
    Lofty Living - Fonte: Vídeo Openhouse
    No Brasil, a maioria dos projetos lançados se distanciam muito do conceito original. Surgiram muitas adaptações, chamadas muitas vezes de lofts-fake ou apartamentos loft-inspired. Por exemplo, muitos dúplex encontrados no mercado, embora não sejam nada amplos, são vendidos como lofts só por causa do pé-direito duplo. O que se faz por aqui são ambientes “loftados”, pois não há galpões de fábrica em áreas em que as pessoas gostariam de morar. Mesmo assim o metro quadrado de um loft é cerca de 20% mais caro do que o de um apartamento convencional de mesma localização.
    Loft - Fonte : Apartment Therapy
    A tradução do conceito pelo mercado local resultou em construções de pé-direito duplo e grandes janelas em que a área social se confunde com a de serviço. A ala íntima (quarto e banheiro) fica resguardada em um mezanino. Solteiros e jovens casais sem filhos são o principal público desse tipo de empreendimento. Manter a privacidade num ambiente assim, no entanto, pode ser difícil quando ele é dividido com alguém. O loft é mais que um espaço: é um estilo de vida!
    Legalidad dos Lofts - Fonte: Vinil Chic
    Lofts Nova Iorquinos - Fonte: Casa Cláudia

    23 de jun. de 2011

    Arq Biography - Massimiliano Fuksas

    "Os projetos são 3 luzes: luz direta, luz indireta e uma luz que ninguém sabe onde aplicável. É luz mágica, que na alquimia da arquitetura transmite emoção." (Massimiliano Fuksas)

    Massimiliano Fuksas nasceu em Roma em 1944, onde se graduou em arquitetura pela Universidade "La Sapienza", em 1969. Em 1967 ele criou seu estúdio romano, seguido em 1989 e 1993, estudos em Paris e Viena.
    De 1994 a 1997 um membro das comissões de planejamento urbano de Berlim e Salzburgo. Em 1998 recebeu o prêmio a sua "Lifetime Achievement International Vitruviano" em Buenos Aires.
    De 1998 a 2000 diretor do International Sétima Bienal de Arquitetura de Veneza "Estética Menos, Ethichs Mais", com o qual ele pode estimular, de forma provocativa, reflexões sobre a arquitetura, estética e ética. Através de sua arquitetura desenvolvida ao longo dos anos tem afetado muitos jovens arquitetos na Itália e na Europa. Em 2002, ele foi agraciado com o título de Membro Honorário da AIA (American Institute od Architects). Em 1999 recebeu o Grand Prix d'Architecture Française e no ano seguinte foi nomeado National Academic San Lucas e recebeu o título de Commandeur de l'Orde des Arts Lettres et des da República Francesa. Em janeiro de 2000, é curador da seção de arquitetura da revista semanal "L'Espresso", fundado por Bruno Zevi.
    Na carreira acadêmica inclui o ensino Massimiliano Fuksas em várias universidades, incluindo Staadtliche Akademie der Künste Stocarda Bildenden, Spéciale Ecole d'Architecture de Paris, Akademie der Kunst, em Viena Bildenden, da Universidade Columbia, Nova York e Sapienza de Roma. Durante vários anos, tem dedicado especial atenção ao estudo dos problemas urbanos nas grandes áreas metropolitanas. Vive e trabalha entre Atualmetne Roma e Paris.

    Um Dos seus projetos: Pólo Feira de Milão, Itália
    Com área construída de 1 milhão de metros quadrados, o novo pólo é o ponto de partida para transformações na região de Rho Pero


    Com altura variável entre 16 e 23 metros, a cobertura desce em mergulho até o solo, em alguns pontos

    Para o novo Pólo Feira de Milão, Fuksas criou dois símbolos: uma estrutura de aço e vidro, com 37 metros de altura (chamada de Vulcão Fuksas, pelos operários, mas batizada de Logo, porque seu desenho foi incorporado ao logotipo da feira), e uma longa cobertura ondulada, de 1,3 mil metros de extensão (a Vela, ou Véu, como prefere Fu ksas). O Vulcão cobre a entrada nobre do complexo, na porta sul, e a sala de conferências do centro de serviços. O Véu, também de aço e vidro, estende-se sobre o grande eixo de circulação que corta longitudinalmente o complexo, entre os pavilhões expositivos, unindo as portas leste e oeste. Além desses acessos, existem outras dez portas, que servem diretamente os oito pavilhões.
    Para evitar infiltrações, foi criado um sistema de
    drenagem através das colunas de apoio da cobertura
    O complexo reúne centros de serviços (sala de imprensa, secretaria lingüística, banco, correio, guarda-malas, farmácia, agência de viagens, centro de fotocópias e fax) e de convenções (nove salas modulares em dois pavimentos e auditório), oito gigantescos pavilhões, 64 salas de reuniões, 20 restaurantes, 57 bares, lanchonetes e cafés, espaços para banquete e áreas para showrooms. Externamente, há espaço de 60 mil metros quadrados para exibições ao ar livre, estacionamento para mais de 20 mil visitantes, além de garagens especiais (para expositores e caminhões) e heliporto. Ao projeto estão sendo acrescentados dois hotéis, uma galeria comercial com 200 lojas e setores de recreação e cultura.

    Fonte: IGuzzini

    29 de mai. de 2011

    Arte e Arquitetura: Movimento Pop Art





    Pop art (ou Arte pop) é um movimento artístico surgido na década de 1930 no Reino Unido e nos Estados Unidos. Nas décadas de 40 e 50 ocorre o ápice do pop art. Lawrence Alloway foi o criador e um dos principais participantes. O pop art propunha que se admitisse a crise da arte que assolava o século XX e pretendia demonstrar com suas obras a massificação da cultura popular capitalista. Procurava a estética das massas, tentando achar a definição do que seria a cultura pop, aproximando-se do que costuma chamar de kitsch. Diz-se que a Pop art é o marco de passagem da modernidade para a pós-modernidade na cultura ocidental.
    Crítica à cultura de massa
    Os artistas deste movimento buscaram inspiração na cultura de massas para criar suas obras de arte, aproximando-se e, ao mesmo tempo, criticando de forma irônica a vida cotidiana materialista e consumista. Latas de refrigerante, embalagens de alimentos, histórias em quadrinhos, bandeiras, panfletos de propagandas e outros objetos serviram de base para a criação artística deste período. Os artistas trabalhavam com cores vivas e modificavam o formato destes objetos. A técnica de repetir várias vezes um mesmo objeto, com cores diferentes e a colagem foram muito utilizadas.

    • No Reino Unido
    O Independent Group (IG), fundada em Londres em 1952, é reconhecido como o precursor do movimento de Pop art. O grupo, formado entre outros pelos artistas Laurence Alloway, Alison e Peter Smithson, Richard Hamilton, Eduardo Paolozzi e Reyner Banham utilizava os novos meios de produção gráfica que culminavam durante as décadas de 1950 e 60, com o objetivo de produzir arte que atingisse as grandes massas. O Independent Group se dissolveu formalmente em 1956 depois de organizar a exibição "This Is Tomorrow" em Londres, na galeria de arte Whitechapel Gallery. Nesta exibição, o artista inglês Richard Hamilton apresentou a colagem "Just what is it that makes today's homes so different, so appealing?" (em português: O que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes), considerada por críticos e historiadores um das primeiras obras de Pop art. É possível observar nas obras Pop britânicas um certo deslumbramento pelo american way of life através da mitificação da cultura estadunidense. É preciso levar em consideração que o Reino Unido passava por um período pós-guerra, se reerguendo e vislumbrando a prosperidade econômica norte-americana. Desta forma, todas as obras dos artistas pop britânicos aceitaram a cultura industrial e assimilaram aspectos dela em sua arte de forma eclética e universal.

    • Nos Estados Unidos
    Ao contrário do que sucedeu no Reino Unido, nos Estados Unidos os artistas trabalham isoladamente até 1963, quando duas exposições (Arte 1963: novo vocabulário, Arts Council, Filadélfia e Os novos realistas, Sidney Janis Gallery, Nova York) reúnem obras que se beneficiam do material publicitário e da mídia. É nesse momento que os nomes de Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg, James Rosenquist e Tom Wesselmann surgem como os principais representantes da Pop art em solo norte-americano. Sem estilo comum, programas ou manifestos, os trabalhos desses artistas se afinam pelas temáticas abordadas, pelo desenho simplificado e pelas cores saturadas. A nova atenção concedida aos objetos comuns e à vida cotidiana encontra seus precursores na antiarte dos dadaístas. Os artistas norte-americanos tomam ainda como referência uma certa tradição figurativa local - as colagens tridimensionais de Robert Rauschenberg e as imagens planas e emblemáticas de Jasper Johns - que abre a arte para a utilização de imagens e objetos inscritos no cotidiano. No trato desse repertório plástico específico não se observa a carga subjetiva e o gesto lírico-dramático, característicos do expressionismo abstrato - que, aliás, a arte pop comenta de forma paródica em trabalhos como Pincela (1965) de Roy Lichtenstein. No interior do grupo norte-americano, o nome de Tom Wesselmann liga-se às naturezas-mortas compostas com produtos comerciais, o de Lichtenstein aos quadrinhos (Whaam!, 1963) e o de Claes Oldenburg, mais diretamente às esculturas (Duplo Hambúrguer, 1962).


    • Andy Warhol

    Andy Warhol foi uma das figuras centrais da Pop art nos Estados Unidos. Como muitos outros artistas da Pop art, Andy Warhol criou obras em cima de mitos. Ao retratar ídolos da música popular e do cinema, como Michael Jackson, Elvis Presley, Elizabeth Taylor, Marlon Brando e, sua favorita, Marilyn Monroe, Warhol mostrava o quanto personalidades públicas são figuras impessoais e vazias; mostrava isso associando a técnica com que reproduzia estes retratos, numa produção mecânica ao invés do trabalho manual. Da mesma forma, utilizou a técnica da serigrafia para representar a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como as garrafas de Coca-Cola e as latas de sopa Campbell.
    A multiplicação das imagens enfatiza a idéia de anonimato e também o efeito decorativo. A imagem destacada e reproduzida mecanicamente, com o auxílio do silkscreen, afasta qualquer vestígio do gesto do artista. A celebração da opulência e da fama convive, a partir de 1963, com as tragédias, com a violência racial e das guerras (da Guerra Fria, do Vietnã). Datam desse período Levante Racial Vermelho, 1963, e Cadeira Elétrica, 1964.



    Referências:

    ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti; prefácio Rodrigo Naves. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. xxiv, 709 p., il. color.

    CHALVERS, Ian. Dicionário Oxford de Arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

    FINEBERG, J. Art since 1940 - strategies of being. New York: Harry N. Abrams, Inc., Publishers, 1995. 496p. il. color.

    MCCARTHY, David. Arte Pop. Tradução Otacílio Nunes. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. 80 p., il. color. (Movimentos da arte moderna).

    TRÉTIACK, Philippe. Andy Warhol. New York: Universe Publishing, 1997. 79 p. il. color. (Universe of Art)

    12 de mar. de 2011

    A Palavra Arquitetônica - Renato Leão Rego

    No panorama que a produção arquitetônica nos apresenta hoje vemos, entre a herança do movimento moderno, marca sem dúvida alguma da arquitetura do século XX, negação, inovação e muita revisão. Pauta-se, a arquitetura contemporânea, pela ausência de um paradigma comum. Arquiteturas, no plural, apresentam formas e métodos diferentes.
    Tamanha liberdade não é paralisante?
    A menos que a sintonia voluntária com um destes ‘modelos’ ou a aceitação do ecletismo estabeleçam e fomentem a criação da nova arquitetura.
    Pensar a arquitetura já é julgá-la.